A Shonen West conversou com Nicomikha, autora de Otho e os Ratos, que contou que começou a escrever mangás com uma simples caneta BIC: “Eu comecei a escrever mangás com papel de caderno pautado da escola e caneta BIC. No lado subjetivo: crises existenciais, depressão e um bocado de sede de vitória, seguido por uns suspiros e alguns inesperados sorrisos; porque acredito que os sentimentos brutos e crus são a maior matéria-prima para se criar um mangá — que é basicamente a gema polida... e quem dera se visse a clara junto. Daria pra ter um omelete, nham.”

A mangaká sempre soube que acabaria crescendo e trabalhando em áreas que envolvessem o desenho: “Hmm... entãããão... como eu só tenho 21 anos, acho que o que me resta pra contar é a vida que tive até agora. Instintivamente, eu sempre soube que só servia para desenhar. Sempre desenhei desde criança, mas comecei a escrever mangás entre 2015 e 2016. Antes disso, fazia visual novels em 2013, com aquele traço e letra de uma criança de 9 anos. Pois é.”

Ela sonhava acordada com suas histórias e personagens, mesmo com os percalços que enfrentou durante a faculdade: “Durante as aulas, eu desenhava e sonhava acordada com os personagens originais, muito boys love e serelepidades, ao invés de prestar atenção nos professores. De alguma maneira, mantive as notas máximas até o fundamental II — mesmo com garotas me enforcando na escada e me ameaçando de morte todo dia. A esse ponto, eu só queria virar o protagonista de qualquer comercial da Red Bull: ter asaaaaas! ...e voar livre por aí. Típica história de qualquer criança deprimida e dramática, eu sei. Hahaha!”
Mesmo sem o apoio dos pais, Nicomikha nunca deixou de acreditar que conseguiria trabalhar no ramo artístico: “E bem... explicando o porquê consegui me manter nesse ramo artístico: dou graças à criação asiática que recebi. Quando ouvi dos meus pais que era pra eu me matar, descobri que ninguém dá bola mesmo. Então, a ficha caiu de que não importa o que os outros dizem. ‘Nah~ tá bom, né’, pensei, continuando o foco na profissão supostamente ‘errada’, já que era — e ainda é — a única coisa que me faz sentir viva. Nesse ponto, só deu pra pensar: ‘Dane-se, humanidade! Eu vou viver e provar pra todos que um humano como eu consegue viver!’. Até parecendo aqueles anti-heróis todo edgy, pfft. Bizarro. Foi uma fase em que cortei o cabelo com a estilosa franja emo. Ah, e devo ter criado meu canal no YouTube nessa época também, ensinando o que eu sabia de desenho pelos vídeos.”

Um acidente aparentemente bobo — mas que poderia ter sido fatal — fez Nicomikha perceber o quão preciosa é a vida: “No meu aniversário de 15 anos, me acidentei: enrosquei na rede de descanso, bati a cabeça e desmaiei. ‘Eu não quero morrer!! Eu não quero morrer!!’ HAHAHAH parece que eu gritava mesmo inconsciente; e desde que me recuperei, as pessoas dizem que eu não sou mais a mesma e que tô lelé demais — família... antes eu era mais séria? Talvez, né. Bem, parece aleatório, mas esse evento me fez acordar pra vida: ‘Noossa... e se eu tivesse morrido agorinha?’. Então pensei: ‘Se o desenho é a minha vida, eu preciso levar o desenho a sério... que eu viva sem arrependimento de não ter desenhado o suficiente’.”
Depois disso, ela começou a procurar maneiras de trabalhar com mangás: “Então, com uns 17~18 anos, corri atrás de cursos. Na época, aqui no Brasil, um dos melhores cursos de desenho no estilo mangá que encontrei foi na escola Japan Sunset. Calhei de estudar com o Israel Guedes, autor de T-Hunters. E bem... abri uma conta no Tapas Comics para postar os mangás do desafio que me autoimpus: ‘postar um capítulo por aula de desenho’. Eu fazia isso no meio da aula mesmo, porque aparentemente me viciei em uma gamificação que o Izu fez uma vez (cada aula tinha lição de casa com três níveis e o último era fazer um mini mangá). Outro professor que me marcou muito foi o Maurício Ossamu, que na época eu nem imaginava ser o assistente-chefe de Tetsuo Hara, autor de Hokuto no Ken. Levei um susto quando ele veio me perguntando um monte de coisa em japonês pelo X (que na época ainda era Twitter). Bem, acho que tive muita sorte em ser encontrada. De alguma forma, foi por meio do sensei Ossamu que tive conexão com a Shonen West em um futuro não tão distante.”

Ela também trabalhou na área de design gráfico: “Trabalhei em uma gráfica rápida, mas depois fui para o atendimento ao cliente de uma empresa de energia. ‘Bom dia, no que posso te ajudar?’. Pensei muito. Saí. E bem, desde então, vivi algumas experiências que me fizeram virar uma hikikomori e cortar o cabelo pra ficar quase calva (risos). Em resumo, sou bacharel em design gráfico e, nos últimos dois anos, mal e mal saio de casa. Este ano terminei Undertale: Corrupted Lands, um mangá fanzine de universo alternativo de Undertale com alguns amigos; dois mini one-shots para a edição de agosto de 2025 da Shonen West (estou na página 34); e agora publico na edição de outubro de 2025 com Otho e os Ratos. Polindo habilidades a cada dia, um passo de cada vez. Espero que a história da minha vida até agora te ajude com algum insight, inspiração ou... sei lá, que tenha sido engraçado. Gratidão!”
Podemos dizer que o amor também foi um dos motivos que fez a autora se aprofundar ainda mais no conhecimento não só de mangás, mas também da língua japonesa: “Ainda no ensino médio, comecei a trabalhar dando aulas de teclado e mentorias particulares de desenho. Também tive um namorado japonês que me fez estudar japonês que nem uma doida, só porque estava apaixonadinha e queria seguir ele pro outro país. Acontece que essa besteira me fez subir até o nível N3 no JLPT em alguns meses... pra, no final, ele me largar. Coisa de trouxa, mas foi bom XD, porque isso me fez entender muito mais da cultura japonesa — o que foi imprescindível pro entendimento do curso que fiz na faculdade: o curso de mangá da Me2 Art Studio!”

Sobre a Me2 Art Studio, a mangaká afirma que lá foi um lugar transformador para suas habilidades: “Não só refinou minhas habilidades no mangá, mas também a forma de enxergar a vida. Contraste, narrativa visual e psicologia da metalinguística... As correções dos senseis (professores) me ajudaram na disciplina e também a assumir, na cara de pau, que eu precisava melhorar. Passei de arrogante pra humilde num instante. Recomendo — é quase como ler a Bíblia, mas na trilha artística. Recomendo a leitura de João 1:8-10 pra quem quiser entender como é a experiência. No entanto, acredito que a escola não tenha nenhum segmento religioso, por ser apenas focada no ensino de mangá, né. — ‘Mas é claro, Nicomikha…’.”
A autora também contou um pouco sobre suas principais influências: “Assisti Hunter x Hunter, de Yoshihiro Togashi, oito vezes, do começo ao fim. Angelic Layer; fã de Purikyua; Digimon; Naruto (tinha até a mochila do ninja); Katekyo Hitman Reborn; Zelda; Kingdom Hearts... hã... é, Yumeiro Patissière... e de anime e mangá é isso. Jogos flash: Nitrome, Friv, Cooking Mama (?), Wii Sports (?)... e centenas de horas em Toram Online e Arcaea. Os 12 trabalhos de Hércules... os livros didáticos da escola... e acho que já estou divagando.”

A entrevista encerra com Nicomikha contando não só como surgiu Otho e os Ratos, mas também sua visão sobre o mercado brasileiro de mangás: “Ah, o cientista e os roedores, né? Na verdade, eles são apenas um prequel de uma história maior minha sobre controle mental. E antes de chegar a esta versão publicada na Shonen West, passei várias vezes com os editores: teve Otho que quase virou órfão; Otho dançando breakdance; Otho que ia ser morto... Era uma história até que bem depressiva (???) pra dizer a verdade. Agradeço ao meu editor Marcelo (M2) — autor de Ager Stellas — que me acompanhou durante os names (storyboards) ainda bem crus. Assim como o Mikhasso — iaê, xará? — que me ajudou a potencializar o drama na história durante as últimas etapas da produção do mangá. Então testei o gênero de comédia: ‘Oras, se nada depressivo tá sendo aprovado, vou testar o completo oposto!’, e assim baseei os personagens nas pessoas que entram e saem da minha vida. Calhou que o Otho e o José são, ambos, traços caricaturescos de dois ex-namorados meus. Ah, e não, a minha primeira história autoral publicada é A Bolha de Sol, que apresentei no evento Anime Friends 2022. Eu não sou especialista em dados analíticos de mercado, então só tento ajudar fazendo a minha parte: desenhar. Acho que é o mínimo que posso fazer como artista. Num panorama geral, acho que o mercado está crescendo. Desejo boa sorte para todos os meus coleguinhas artistas que estão nessa mesma jornada. Fé.”
Conversamos hoje com Fenixz, um dos autores de Asaghar, que contou como começou a escrever mangás: “Comecei a escrever roteiros de mangá por volta dos 27 anos, mas, antes disso, eu já escrevia textos diversos. Um dia, conversando com o Lightnningz, simplesmente decidimos fazer e estudar como se cria um mangá. Ele já desenhava, e eu tinha uma noção básica de escrita, então fomos apenas melhorando e aprendendo. Até hoje ainda estamos aprendendo! Mas é muito prazeroso contar histórias — é a minha paixão.”

Os mangás e animes sempre marcaram a vida de Fenixz: “Sempre fui dos livros e contos clássicos da literatura, como Tolkien e Martin, mas o mangá foi uma grata surpresa pra mim. Sempre gostei de animes desde moleque, mas nunca me vi fazendo mangá. Foi acontecendo aos poucos, e quando percebi, já estava envolvido e apaixonado por esse mundo! Gosto muito dos clássicos como Bleach, Dragon Ball, Naruto, One Piece, Berserk... enfim, a lista é grande (risos). Bleach e Berserk têm um lugar especial no meu coração — principalmente Berserk, do lendário Miura-sensei.”

O mangaká contou como surgiu Asaghar: “O Lightnningz e eu decidimos nos desafiar e começamos a pensar em um mangá de verdade em plena pandemia. Eu tinha uma proposta base, mas ela ainda estava muito crua. Foi conversando que fomos criando Asaghar e dando forma ao que ela se tornou. Não tínhamos ideia de como trabalhar em um mangá, então desenvolvemos o nosso próprio jeito. Asaghar não é a nossa primeira história; antes dela tivemos outras, e ainda temos o desejo de que um dia essas histórias sejam vistas pelo mundo.”

Fenixz encerra a entrevista dando sua visão sobre o mercado brasileiro de mangás: “Vejo com grande entusiasmo! Em algum momento, tínhamos que começar a fomentar nosso mercado, e a Shonen West está de parabéns por ter tomado essa decisão tão corajosa. Da mesma forma que a SW nos ajudou a crescer, tenho certeza de que também ajudará muitos artistas que sonham em se tornar mangakás! Eu sonho com o dia em que o mercado brasileiro se torne tão grande que possamos viver apenas da nossa arte — e tenho certeza de que isso vai acontecer no futuro. Já demos o primeiro passo; a estrada é longa, mas consigo ver, à frente, grandes vitórias!”
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Conversamos hoje com Lightnningz, um nome que — curiosamente — não vem de Death Note, já que o artista nunca leu ou viu a obra. Ele é um dos responsáveis por Asaghar. O mangaká começou a desenhar ainda criança: “Comecei a desenhar desde pequeno como uma forma de distrair a mente e sair do mundo real. No desenho eu podia criar o que quisesse, sem limites. Com o tempo, fui me desafiando — quanto mais difícil ficava, mais divertido era pra mim.”

O autor também contou sobre as obras que utiliza como inspiração: “Minhas obras favoritas são Naruto, Dragon Ball, One Piece, Bleach e Hunter x Hunter — eu gosto muito dos shounens clássicos. O artista que mais me inspirou foi o Masashi Kishimoto, que inclusive nasceu no mesmo dia que eu. Além deles, Soul Eater e, mais recentemente, Gachiakuta também me influenciaram bastante.”

Lightnningz explica que escolheu o universo dos mangás por achar as obras divertidas e acessíveis, mesmo convivendo com a dislexia: “Escolhi a área dos mangás porque era o que mais me agradava. Sempre gostei de ler, e mesmo com dislexia, ler mangá era algo muito divertido. Eu gostava de estudar sobre o assunto e tentar aprender cada vez mais.”
O artista ressalta que entrou há pouquíssimo tempo no universo dos desenhos: “Comecei como autor e ilustrador sem entender nada, meio perdido — e até hoje ainda estou aprendendo. Minha carreira é relativamente nova, tem cerca de um ano. Entrar na Shonen West me ajudou muito: conheci pessoas incríveis que me deram apoio, como o Mauniks e a Sleepgry, que contribuíram bastante para a minha evolução.”

Sobre a criação de Asaghar, o artista divide a autoria com Fênix, em um processo único que funciona muito bem para a dupla: “O processo de criação em Asaghar é meio louco (risos). Eu e o Fênix, dois malucos, trabalhamos de um jeito bem diferente. Não existe uma divisão clara entre arte e roteiro — apesar de eu ser o ilustrador, a maioria das ideias nasce em conversa. A gente cria tudo junto, do início ao fim, e depois divide o ‘bruto’: o Fênix escreve o que criamos e eu desenho o que imaginamos. É um processo orgânico, sem um padrão lógico, mas que funciona bem pra gente. Asaghar não é minha primeira história; tenho algumas outras que, um dia, verão a luz do sol.”
Lightnningz encerra a entrevista falando um pouco sobre o mercado brasileiro de mangás: “Vejo o mercado brasileiro ainda muito pequeno, mas com potencial de crescimento. Temos grandes artistas, só que faltam oportunidades, valorização e incentivo. Acho que iniciativas como a Shonen West podem ajudar a mudar isso — é uma questão de tempo. Hoje, o artista brasileiro não pode ser só artista: tem que ser tiktoker, youtuber, dançarino, cobrador de ônibus... tem que ser tudo (risos). Mas, sinceramente, não vejo isso como algo ruim — acaba sendo até mais divertido.”
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Conversamos hoje com Filipe Gazen, autor de Bliss e Aurora, que contou para a Shonen West como começou a escrever mangás: “Sempre gostei muito de desenhar e fui fã de animes desde a infância, em Vitória-ES. Nos anos 90, com a publicação de Cavaleiros, Rayearth, Samurai X, Sakura e outros títulos, tomei gosto também por mangás. Na época do ensino médio comecei a escrever e desenhar histórias curtas, de 6 a 12 páginas, apenas por diversão.”

Filipe tem como inspiração obras shoujo e seinen, além do gênero fantasia: “Na infância, minhas principais referências eram Sailor Moon, Evangelion, Holy Avenger, Rayearth e todas as obras do grupo CLAMP. Gosto muito também de obras literárias como O Senhor dos Anéis. Outras obras que passei a ver como referências e grandes inspirações foram Battle Angel Alita e Vagabond, além de todo o catálogo do Junji Ito e do Inio Asano.”

Durante o ensino médio, Gazen conta que iniciativas como a SW ainda não existiam, então o sonho de ser mangaká era destinado somente aos japoneses: “Ao chegar na época do vestibular, influenciado pela crença de que não existia futuro para quem quisesse desenhar mangá no Brasil, optei por seguir o caminho da publicidade, marketing e design gráfico. Com essa decisão, meu lado desenhista ficou adormecido por alguns anos, até que, na época da pandemia, descobri os concursos internacionais de mangá.”
Foi durante a pandemia que Filipe conseguiu dar início à sua carreira de mangaká: “Em 2020 desenhei minha primeira história para o concurso Silent Manga Audition, da editora japonesa Coamix. Após participar desse e de outros concursos por quatro anos, uma das minhas histórias (The Ocean Remembers) ganhou o 2º lugar no concurso anual do Bunkyo – SP, e outra (Solitude) foi selecionada como finalista em um concurso da editora Kadokawa (Wordless World Manga Contest). Em 2024, após o bom desempenho nessas edições dos concursos, me senti melhor preparado e confiante para compartilhar meu trabalho e comecei a procurar outros artistas e produtores de conteúdo nacional nas redes sociais. Foi nessa época que conheci a Shonen West.”

O mangaká contou como surgiram Bliss e Aurora: “Bliss e Aurora não são minhas primeiras histórias. Antes delas, submeti outras histórias para concursos (The Ocean Remembers e Power of a Smile são dois exemplos). Como a regra dos concursos era a criação de mangás ‘silenciosos’ (sem diálogos), essas histórias têm essa característica. Além disso, tenho alguns outros one-shots iniciados e nunca finalizados.”
Bliss surgiu durante uma época em que o autor buscava tempo para desenvolver suas técnicas artísticas, por isso demorou para publicá-la: “Foi um processo lento de tentativa, erro e correções. Um tempo depois, fiz diversas alterações com a ajuda das orientações do Maurício Ossamu-sensei e do departamento editorial da Shonen West. Eu a aperfeiçoei até o último dia do prazo, e ela ficou finalmente pronta para publicação!”

Já Aurora surgiu da ideia de exercitar a capacidade de transmitir claramente os sentimentos da personagem em imagens e expressões faciais: “Aprendi que isso é fundamental no mangá para transmitir as emoções ao leitor e tornar o consumo divertido. Tive vontade também de criar uma atmosfera visual mais leve, delicada e etérea, mas ainda dentro do gênero fantasia. Esses objetivos combinados me levaram ao conceito de uma pequena deusa, que tem seus sentimentos e seu estado de humor refletidos nos céus e no clima.”

O mangaká encerra a entrevista dando sua visão sobre o mercado brasileiro de mangás: “Durante muito tempo eu acreditava que nunca existiria um mercado aquecido para quadrinistas no Brasil, mas recentemente fui surpreendido pelo surgimento de diversas iniciativas com bons resultados e me animei muito com as possibilidades para o futuro — e a Shonen West é uma delas. É muito bom ver que hoje existem consumidores interessados nos quadrinhos nacionais e muitos profissionais empenhados em criar um ecossistema onde esses quadrinhos possam existir de forma viável e sustentável. Acredito que o futuro nos reserva muito crescimento; basta continuarmos nos profissionalizando e cooperando de forma estratégica para crescermos juntos.”
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A Shonen West marcou presença na primeira edição do Comic Market Brasil, um evento que reuniu artistas e empreendedores em um grande encontro dedicado aos quadrinhos. Conversamos com os editores da SW, Eruru e Mac, que contaram um pouco de como foi o evento: “O Comic Market, de início, parecia algo promissor, mas habitava a zona do desconhecido. A dúvida não era se seria bom, mas sim como tudo iria acontecer, como as coisas se desenrolariam e como o público aceitaria aquilo… Porém, após estar presente no evento, tanto como expositor quanto como visitante, minha impressão saiu de “promissor” para “muito mais do que promissor”. O evento se mostrou um marco neste ramo, e eu não estou sendo poético. Ver a quantidade de pessoas interessadas pelo lado mais profissional da arte, do quadrinho, do mangá, me fez perceber que agora há um norte no caminho a ser trilhado”, diz Mac.
Eruru afirma que a qualidade das obras que estavam em qualidade internacional: “Eu vou ser sincera, e dizer que fiquei extremamente triste de não poder andar nas mesas e sair comprando as zines e os quadrinhos nacionais. Tinhas muita coisa com qualidade! Qualidade de você olhar para a obra, e falar “Bixo, isso aqui tem qualidade internacional!”. O CMB conseguiu mostrar que temos demanda para o mercado, e que tem muita gente com técnica, talento e portfólio nesse mercado. Muito artista nacional que não costuma ficar no foco, e que ninguém conhece, mas que está ativo no mercado americano e europeu, deu as caras no evento. Tinha muita coisa de babar em cima que mostrou o real nível brasileiro de mangas e quadrinhos nacionais.”, afirma Eruru.





























O evento foi tão movimentado que Eruru praticamente não conseguiu circular pois o estande da Shonen West estava sempre lotado, principalmente por causa do Mochikomi (experiência de um mangaká apresentar sua obra pessoalmente a um editor para avaliação): “Em outros eventos menores, que a SW esteve presente. Também tivemos Mochikomi. Como não era um evento focado para o quadrinho/manga nacional, nunca tivemos muito movimento no nosso Mochikomi. Porém, esse evento foi a nossa estreia! Nenhum editor nosso ficou livre! Tivemos fila com mais de 30 nomes em espera para fazer Mochikomi com o nosso Editor-Chefe. Todo editor estava sempre sentado, dando feedback para os artistas. E tinha artista que votou para falar com todos os nossos editores! Foi maravilhoso!”
Para Mac, um dos pontos altos do evento foi seu público: ‘Tínhamos um público altamente engajado, um público com “brilho nos olhos”. Na minha visão inicial, teríamos muitos curiosos, muitos interessados, mas eu nunca imaginei que veria uma multidão em busca de informação para concretizar o próprio futuro. Fiquei me perguntando: quantos imaginavam que essa realidade seria possível tão cedo? Quantos imaginavam que isso estaria disponível no Brasil? Algo que é tipicamente feito no Japão e que nunca esteve presente em nosso território.”
O eventou contou com Masterclass, o Mochikomi e diversas outras atividades voltadas para o universo dos quadrinhos e mangás, mas o maior destaque foi a presença por vídeo chamada de Boichi (autor de Dr.Stone): “Ao colocarmos o Boichi na Tela, o pessoal foi a loucura. Estava lotado. Até fecharam as portas pq não podia entrar mais ninguém. A primeira parte da palestra, foram sábias palavras da vida do Boichi e como ele chegou aonde ele chegou. Ele deixou claro que ele era pobre, como muitos brasileiros, e desenhava em folhas de jornal usados pq não tinha aonde desenhar. Ele se via em muitos brasileiros, que estão em situações parecidas, aonde é um privilégio conseguir ter tempo e material para estudar desenho e desenhar. Mas ele deixou claro, que dá para chegar lá! E ele vê sim, que o Brasil tem muito potencial para desenvolver o ecossistema e que nós podemos chegar lá com suporte do governo, empresas e oportunidades para brilhar!
A palestra encerrou com a confirmação da segunda edição do Comic Market sendo confirmado para 2026 e Boichi querendo ser convidado para participar.
Conversamos com Saruyama, o responsável por Wu-Dang, que contou como começou a desenhar por influência do pai: “Eu desenho desde criança por influência do meu pai. Sempre tive apego por quadrinhos e desenhos animados, mas, aos 9 anos, quando descobri o mangá, decidi que gostaria de me tornar mangaká. Desde então, tenho participado de concursos, estudado, lido e treinado para atingir este sonho que ganhou vida aqui na Shonen West.”

O mangaká relatou que Wu-Dang não foi sua primeira história, já que Saruyama começou a escrever para concursos japoneses em 2020: “Wu-Dang surgiu como uma forma de explorar pensamentos acerca do ciclo da vida, inspirado principalmente pelo falecimento do meu avô no início do ano passado. Gostaria de escrever uma história que ajudasse as pessoas a lidarem com o luto e enxergarem que as pessoas não precisam estar fisicamente conosco para sentirmos o amor delas.”
O autor contou também quais são suas inspirações no universo da cultura pop: “No campo dos mangás, minhas principais inspirações são Inio Asano (Oyasumi Punpun), Hiromu Arakawa (Fullmetal Alchemist), Eiichiro Oda (One Piece), Sui Ishida (Tokyo Ghoul) e Tatsuki Fujimoto (Chainsaw Man). Tenho grande apego por obras com um viés mais social e político, que trabalham, para além da narrativa, uma crítica ou reflexão sobre o mundo real. Mas não é somente nos mangás que encontro inspiração. No cinema, diretores como Tarantino, Kubrick, Jordan Peele e Hayao Miyazaki. Na música, artistas como 2Pac, Tyler, The Creator, Jamiroquai, Nujabes e Djonga.”

A entrevista encerra com Saruyama contando suas perspectivas sobre o mercado brasileiro de mangás: “Acredito que, como o país com a maior comunidade japonesa no mundo fora do Japão, o Brasil tem raízes culturais fortíssimas com a forma japonesa de contar histórias. Acredito que projetos como a Shonen West são o futuro, podendo trazer grandes oportunidades para a criação de uma vasta biblioteca de mangás, assim como trazer para o Ocidente um mercado extremamente lucrativo. Eu tenho muita fé no projeto Shonen West, e tenho muita fé que, em breve, teremos diversos brasileiros se sustentando apenas de suas obras.”

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A Shonen West com a Sté, a quadrinista é responsável por The Demon’s Blacksmith que contou como começou seu amor por mangás: “Acredito que vem desde criança. Minha mãe comentava que eu criava histórias ilustradas, e, conforme olho para trás, percebo que isso foi me acompanhando à medida que fui crescendo. Quando surgiam as oportunidades, eu tentava estudar por conta própria sobre desenho e roteiro, até conseguir pagar por cursos. Eu era muito apaixonada por games e animes, principalmente pelas histórias que eles contavam, e queria poder fazer algo parecido. Ser mangaká freelancer era algo que nunca esteve nos meus planos, simplesmente aconteceu. Porém, sou grata por isso, porque, além de ser algo que gosto, me permite manter minha casa, minha vida e meus dogos, como qualquer outro trabalho!”

Seu começo no universo dos mangás aconteceu de uma forma inesperada: “Bom, ser mangaká foi meio ‘do nada’, então transitei por alguns caminhos: tatuagem, concept art para games, animação 2D, design gráfico, publicidade, ilustração científica para apostilas de medicina e também animações didáticas na Fiocruz, até cair de paraquedas no mangá.”
Ela conta que, durante esse processo, começou a criar materiais autorais: “Durante esse período, eu produzi alguns projetos autorais por hobby, já que viver de desenho sempre foi um ‘tabu’, e havia poucas informações em português a respeito disso. Como gostava muito de contar histórias, fiz alguns cursos sobre HQ americana e européia. Até que, anos depois, pude conhecer a Me2Art e aprender mais sobre o processo japonês, em 2023. Nessa época, eu já trabalhava em tempo integral como artista de quadrinhos e mangás desde 2022. Aprendi muitas coisas com a Eruru e com o Maurício-sensei, que me possibilitaram melhorar meu trabalho, além de muitas dicas que recebi e que só passaram a fazer sentido para mim este ano (coisa doida, né?).”

Por um tempo, a mangaká focava apenas em trabalhar para artistas estrangeiros, mas com o apoio do Maurício-sensei, ela enviou duas propostas para a Shonen West: “Como passei por alguns projetos pessoais que não avançaram e por questões de segurança do meu trabalho, acabei focando em trabalhar para outros autores gringos. Isso me deu espaço para aprender bastante coisa e ganhar experiência de produção. Durante as mentorias da Me2Art, o Maurício-sensei sempre incentivava minha produção autoral, que ajudaria ainda mais no meu crescimento profissional. Até que, após alguns meses trabalhando apenas em obras de outros autores, entrei na SW, apresentei duas propostas e uma delas era The Demon’s Blacksmith. E cá estou hoje, produzindo TDB de forma ‘autoral’ na SW e vivendo do meu trabalho com outros autores de projetos distintos.”
Como The Demon’s Blacksmith foi a obra escolhida para publicação na Shonen West, a mangaká contou também como surgiu a história: “A ideia de TDB surgiu em 2019, após assistir a um episódio de Hora de Aventura (A espada de grama). Naquele dia, fiquei ponderando ideias e, como eu estava participando de um desafio de desenho naquela semana, acabei criando o personagem e sua lore! Mas, como podem imaginar, era bem diferente do que conhecemos hoje. Depois de alguns anos, considerei publicar a história, mas decidi testá-la em uma mesa de RPG, o que me animou mais — porém, o personagem morreu na segunda sessão...”

A quadrinista também falou sobre seus primeiros projetos, antes de se dedicar a The Demon’s Blacksmith: “Antes de TDB, tentei trabalhar em alguns projetos: GTK (Guns to Kill) e Paper Chains, mas acabei abandonando por questões pessoais e inseguranças (tenho muita vontade de voltar a produzir, quem sabe um dia). Porém, consegui lançar Maldita Sorte e Tudo ou Nada. Maldita Sorte foi meu trabalho de conclusão de curso de quadrinhos, e Tudo ou Nada foi produzido em conjunto com um roteirista e uma colorista. Fomos finalistas do concurso da editora Guará no mesmo ano de publicação. Também participei do SMA em parceria com o autor de The Astral Age, um dos mangás no qual sou contratada como artista.”
Diversas obras influenciam o trabalho de Sté: “Minhas obras favoritas atualmente são: D.Gray-man, Fullmetal Alchemist e Black Lagoon. As que mais me inspiram no meu trabalho, com certeza, são Black Clover e Fullmetal. Mas eu sempre busco ler mangás diversos para absorver o jeito único que cada mangaká tem de contar histórias. Além disso, gosto de criar um ‘Frankenstein’ de referências para elementos distintos, assim consigo absorver mais facilmente e adaptar/desenvolver algo mais do meu estilo. Tento ter experiências com outras mídias, como filmes e séries, para poder estudar ideias. Gosto muito de filmes de terror, pois sempre me dão ideias legais.”

A mangaká encerrou a entrevista falando sobre o mercado brasileiro e sobre seus trabalhos futuros: “Publicar TDB me deixou mais animada para novos projetos. Já discuti alguns deles com a minha editora, e outro, em específico, irei retomar por também ser um projeto de conclusão — mas da Me2Art Studio. Torçam por mim! Pretendo lançar novos projetos fora da SW também, futuramente. Estou estudando coisas novas e gostaria de testar outros tipos de histórias e formatos. Eu vejo que existe uma cena que está se movimentando para tentar trazer um ‘mercado’, de fato. Tenho expectativas positivas, mas o processo é a longo prazo. Talvez as gerações mais novas possam desfrutar melhor dos frutos. Mas, independente de qualquer coisa, sei que vamos continuar produzindo e tentando chegar aos leitores.”
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A Shonen West conversou com Sangalli, o responsável pela arte de Phantasia. O ilustrador contou como surgiu a parceria com o mangaká Prince: “Phantasia surgiu de uma parceria com o PRINCE, que conheci em um servidor de artistas que se inspiram no Sui Ishida e compartilham entre si brushes dele. Apareceu uma notificação de oportunidade de freelance de um mangá para um concurso que, por coincidência, eu já estava de olho (MAGIC). Logo fui contatar ele, desenhei os personagens no meu traço e firmamos uma parceria referente a esse trabalho. Em seguida, YNKE seria publicado no MangaPlus Creators. Meses depois, enquanto eu escrevia e bolava um one-shot para a SW, me perguntaram sobre a possibilidade de retornar com YNKE ou PRINCE (em outra parceria) na revista. Comentei com ele e passamos a desenvolver o cenário e personagens que então se tornariam PHANTASIA.”

O quadrinista também contou um pouco sobre como começou sua trajetória e como passou a desenhar mangás: “Desde criança, eu gostava de ler mangás e ver animes, e tinha o hábito de desenhar as próximas capas dos mangás de Naruto e criar quadrinhos sobre o que poderia acontecer nos próximos volumes. Com o passar do tempo, passei a criar meus próprios personagens nesses universos e, depois, meus próprios personagens em meus próprios universos. Na época, ainda era como um trabalho de fã e um hobby, mas com o tempo passei a me dedicar e estudar mais, até chegar ao ponto em que estou hoje.”

Sangalli afirma que sempre quis desenhar mangás: “Sempre quis fazer mangá. Durante o ensino médio, passei a fazer quadrinhos com meus amigos sobre coisas bobas entre a gente, como um shounen de 'paciência spider', porém foi na pandemia, olhando para o vestibular e para o meu futuro, que comecei a fazer quadrinhos de verdade, buscando transformar isso em uma carreira. Passei a escrever one-shots, participar de concursos (como o SMAc) e buscar melhorar/aprender técnicas de fato, seja por meio de artigos online, como o acervo do MediBang e do SMAc, ou com a escola de mangá ME2, onde conheci o Maurício Ossamu-sensei e hoje tenho um mangá publicado aqui pela SW.”

“Eu tiro inspiração e referência de várias mídias diferentes. Acredito que, por meio de diferentes mídias, você consegue exprimir diferentes abordagens, então tenho o hábito de consumir muito mangá, anime, cinema, jogos... em geral.” Tokyo Ghoul, Fire Punch, Chainsaw Man e Sakamoto Days foram algumas das obras citadas pelo quadrinista como referências para seu trabalho: “Visando o gênero shounen, eu diminuí um pouco o tom e peguei mais referências em Boku no Hero Academia e Hunter x Hunter. Quanto a jogos ou outras mídias, tenho para mim a franquia Nier, Dark Souls/Elden Ring, Persona, Bloodstained e filmes como Elena, Whiplash, John Wick, Blade Runner... Ressalto também o jogo GetAmped 2, que joguei muito na minha infância e me ajudou a criar sequências de combate e ação contínua. Jogos com muita ação e combos são excelentes para pensar e desenvolver batalhas dinâmicas — recomendo muito Street Fighter, Tekken e Guilty Gear.”

O ilustrador encerra a entrevista dando uma visão positiva sobre o mercado nacional de mangás: “Acredito que ele esteja hoje em seu provável melhor momento. Claro, a maioria dos artistas ainda é invisível, e muitas obras acabam ficando em um limbo onde apenas o círculo próximo do artista tem acesso a elas. Mas hoje temos várias editoras e opções de publicação no mercado, todas com suas metodologias e abordagens singulares para todos os tipos diferentes de autores. Penso que, atualmente, o leitor casual também está cada vez mais aberto a ler mangás nacionais, e as próprias editoras estão olhando para esses autores com maior atenção. Entendo que ainda estamos longe de poder considerar o cenário atual como ideal ou satisfatório, mas tenho muito otimismo em relação ao futuro, que de fato parece promissor, com tantos artistas excelentes e abordagens que cada vez mais chegam ao público geral de leitores.”
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Conversamos hoje com o Prince, autor holandês de Phantasia. O mangaká contou um pouco sobre como começou seu amor pelo universo dos quadrinhos e animações japonesas: “Assisto anime e leio mangá desde 2014. Sempre tive interesse em criar meus próprios mundos, seja para filmes, séries ou outro meio. Criei muitas histórias como hobby ao longo dos anos, mas só comecei a levar isso a sério em 2023. Fazer filmes ou séries parecia algo que levaria muito mais tempo para ser concluído (e custaria muito também, haha), então acabei optando pelo mangá.”

Ele então decidiu se arriscar e tentar criar suas próprias histórias, e foi assim que surgiu sua primeira one-shot, YNKE: “Decidi, em 2023, tentar escrever um mangá e criei um one-shot chamado YNKE junto com o Sangalli. A partir daí, através do Sangalli, entrei em contato com a SW e tive a sorte de publicar uma minissérie. Minha jornada até agora foi bem curta, mas espero que continue por bastante tempo. Tenho muitas histórias que gostaria de contar!” Ele utiliza obras como Attack on Titan, Tokyo Ghoul, Re:Zero e Chainsaw Man como referências para criar suas narrativas.
Entretanto, Prince não busca referências exclusivamente no universo de animes e mangás, mas também em jogos e filmes: “Jogos como Elden Ring, Bloodborne e muitos filmes como Whiplash, Os Oito Odiados, Sinners, Onde os Fracos Não Têm Vez e muitos outros. Gosto de obras que apresentam mundos únicos, com uma história rica, conflitos interessantes e personagens cativantes. São essas que mais me inspiram.”

O autor contou também sobre as origens de Phantasia e como começou a publicar na Shonen West: “Phantasia, da forma como você conhece, foi baseada em uma história muito maior ambientada no mesmo mundo. Quando me pediram para escrever uma minissérie para a SW, procurei entre os muitos mundos que já havia criado e escolhi Phantasia. A história original foi minha tentativa de escrever um verdadeiro shounen.”
Para finalizar a conversa, o mangaká falou um pouco sobre o mercado quase inexistente de mangás na Holanda: “Não estou muito familiarizado com a cena de mangás por aqui (se é que existe uma). Minha interação com os fãs da SW, através de Phantasia, foi, em sua maioria, bastante positiva, embora eu ache que não mereça os elogios dos leitores brasileiros. Ainda assim, aprecio muito o apoio que recebi até agora. Espero poder escrever algo para a SW novamente algum dia!”
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A relação entre o Brasil e o Japão é antiga - e quando falamos em “relação”, não queremos dizer somente a aspectos comerciais e econômicos -. Você já deve ter visto comunidades nipônicas em diversas cidades do Brasil ou ter consumido produtos originalmente oriundos do Japão, como os tão famosos mangás e animes, que tanto adoramos.
Pois é, a nossa relação não é somente prática, não é somente diplomática, mas também de uma construção bilateral que promove o intercâmbio de cultura e, porque não dizer: a construção de uma verdadeira amizade!
Quando duas culturas, em vez de se confrontarem, somam-se, os resultados são incríveis: avanço cultural, tecnológico, social e ambiental. A relação que se constroi só evolui, e os resultados são cada vez mais tangíveis; e foi assim que, em mais de um século - mais precisamente 130 anos - estreitamos nossos laços com o Japão.
Nós, da Shonen West, somos a prova viva de que a cooperação entre esses dois mundos traz resultados inimagináveis e, junto com vocês, nossos queridos leitores, podemos alcançar patamares ainda maiores.
Agradecemos imensamente pelo apoio que o Consulado do Japão dá ao nosso projeto, e para o nosso momento ficar completo, lançaremos um desafio que inclua a sua participação, pois queremos você de pertinho nessa conquista… fiquem atentos.
Eruru é responsável por dar vida a Tamers, obra com roteiro de Matheus Avanço: “Eu tô lançando, né, o Tamers com o Matheus Avanço na Shonen West. Foi muito legal trabalhar com uma história que não é meu roteiro. “Eu vou ter o meu próprio roteiro, minha história com o meu roteiro. Mas eu também queria trabalhar com outra pessoa, como co-autora, porque é uma experiência diferente. Eu nunca tinha trabalhado com co-autor, então essa é a primeira vez que estou trabalhando usando o roteiro de outra pessoa e ajudando a dar mais vida a esse roteiro.”

A paixão da desenhista por mangás começou ainda na juventude, quando ela sonhava em criar suas próprias séries: “Todo bom viciado em mangá, que queria desenhar e criar suas próprias séries, começa a tentar produzir. Eu vou chamar de tentativa de produção porque, na época, não foi para frente por falta de técnica, né? Mas como toda pessoa que sonha em fazer suas próprias histórias, comecei a tentar produzir mangá aos 20 anos, mais ou menos. Claro que eu já desenhava antes, aos 15, 16 anos, rabiscando aqui e ali. Mas tentar realmente criar uma história, com páginas, painéis, e fazer um roteiro, isso foi lá pelos 20 anos.”

A mangaká comenta que existiu uma certa frustração com seus primeiros desenhos, já que suas séries nunca ficavam semelhantes aos originais japoneses: “A gente desenha, desenha, desenha, e não fica igual ao mangá que vem do Japão. Desenha mais, desenha mais, mas continua não ficando igual. Parece, né? Fica parecido.” Eruru comparou suas tentativas a um mímico, pois mesmo sendo visualmente semelhante, não possuía a essência dos originais: “Tipo um mímico, né? A gente faz uma mímica do mangá japonês e ele fica parecido. O problema é que, quando a gente vai ler, quando mostramos para outras pessoas, não fica legal, sabe? Não fica bacana. Faltava alguma coisa, e isso me frustrava.”

Durante seu período na faculdade de administração, a ilustradora chegou a cogitar largar a criação de mangás. Entretanto, durante uma aula de macroeconomia, o professor começou a explicar sobre a indústria de animes e mangás japoneses: “Nossa, foi ótimo. E aí, foi o destino. Foi a aula que mudou tudo. Porque, depois dessa aula, eu falei: 'Tem um caminho ali pra eu viver, né? Tem como.' Mas o problema ainda persistia. Apesar de a aula ter me animado para tentar investir mais, ainda havia o problema do know-how. Como se faz um mangá de verdade?”
Eruru decidiu que deveria estudar no Japão para se aprofundar ainda mais no universo dos mangás: “Eu não queria uma imitação. Por mais que fosse bonita, eu não queria isso. Eu queria o original. Saber como fazer um mangá original. Falei: 'Cara, se é assim, vou estudar no Japão.' Porque aqui no Brasil não tinha curso. Havia algumas escolas que ensinavam a desenhar mangá, mas antes da ME2 Art Studio, que é a escola do Osamu-sensei, diretor-chefe da Shonen West, não existia uma escola que ensinasse técnicas de narrativa visual e roteirização. Não havia uma escola que ensinasse a técnica de produção de um mangá completo.”

Ela conta que, na época, não existiam escolas no Brasil que ensinassem sobre o desenvolvimento de mangás, o que a levou a planejar sua viagem ao Japão: “Havia escolas que ensinavam a desenhar no estilo mangá. Ou seja, eu poderia aprender a desenhar o Naruto, o Dragon Ball, o Bleach. Desenhar parecido com o que achávamos que era mangá. Mas o produto original, a história por trás do mangá, não existia antes da escola do Osamu-sensei. Então, o que a gente fazia? Vai pro Japão, né? Tem outro lugar pra aprender? Não! Então, a gente vai pro Japão. Aí, como o curso de administração ensina a gente a planejar muitas coisas a longo prazo, comecei a planejar.”
Após anos de planejamento, aprendendo a língua e economizando, Eruru finalmente conseguiu desembarcar em terras nipônicas. A escola em que se matriculou, em Tóquio, possuía um programa para alunos estrangeiros, mas nunca tinha recebido brasileiros antes: “Eu não tive dificuldade com a língua, porque já cheguei lá falando. As pessoas até se assustavam. Quem vai pra lá normalmente entende a língua, mas não consegue conversar. No meu caso, como eu já tinha me preparado, conseguia me comunicar.”
Durante sua estadia no Japão, a autora descobriu uma diferença significativa na forma de contar histórias no Ocidente e no Oriente: “Existe uma diferença no estilo de contar histórias entre o Ocidente e o Oriente. Há um senso comum, uma prática que os japoneses já têm antes mesmo de começar a produzir mangás, algo que eles aprendem na escola. Esse tipo de pensamento é algo que a gente, que vem de fora, não tem. Falta uma peça importante para entender como se produz um mangá de verdade.”

Com uma bagagem maior sobre a produção de mangás japoneses, Eruru retornou ao Brasil e começou a trabalhar com Maurício Osamu e Matheus Avanço na criação de Tamers: “Agora estou aplicando todo esse conhecimento que adquiri no Japão. Depois que voltei e conversei com nosso editor-chefe, o sensei Maurício Osamu, tudo ficou ainda mais claro na minha cabeça. Toda vez que vejo um comentário das pessoas sobre a história, entendo como manipular a narrativa para agradar melhor esse público. Contar histórias é muito mais do que só desenhar um mangá.”

Para finalizar, a desenhista comentou sobre sua perspectiva em relação ao consumidor brasileiro: “Eu gostaria que o público brasileiro aprendesse a consumir. O que é aprender a consumir? O público brasileiro não sabe consumir porque nunca tivemos um ecossistema de mangás aqui no Brasil. O que ele consome é o que o público japonês fez para o consumidor japonês, e o consumidor japonês sabe como consumir e qual é o papel deles em consumir mangá.”
Quer conhecer Tamers, a obra de Matheus Avanço? Então assine a Shonen West e confira os lançamentos de novos capítulos!
Matheus Avanço é o autor de Tamers e contou para a equipe da Shonen West como Bakuman o ajudou a começar a escrever mangás: "Eu comecei a escrever mangá ainda na época do ensino fundamental, quando uma amiga me apresentou a obra Bakuman. Desde então, fiz vários cursos de desenho e também um curso de língua japonesa. Além disso, me formei em Tecnologia da Animação pela Belas Artes e cursei um ano de Cinema. Durante esse período, conheci o sensei Maurício, que me ajudou e incentivou muito a continuar nesse caminho como autor."
O mangaká compartilhou como obras infantis o inspiraram a sonhar em escrever mangás: "Como uma criança nascida no século 20, cresci assistindo animes como Pokémon, Digimon e outras séries do gênero Kodomo (infantis). Quando decidi me tornar um mangaká, desejei criar uma obra com essa ideia de monstrinhos. Porém, demorou até a ideia se lapidar para que não se tornasse uma simples cópia."
Além disso, Matheus comentou como seu amor por Digimon serviu de influência para a criação de seu mangá, Tamers: "Para Tamers, minhas principais inspirações foram duas obras: a mais clara para muitos é Digimon Tamers, que tanto eu quanto Eruru consideramos a melhor temporada de Digimon. A outra inspiração é o mangá JoJo’s Bizarre Adventure, que, na minha opinião, tem um dos melhores sistemas de poder com os 'stands'. Isso ajudou a tornar as criaturas de Tamers mais divertidas e interessantes de criar."





A ideia do mangá surgiu durante uma aula de Maurício Ossamu: "A obra Tamers começou a tomar forma durante uma aula do sensei, em que ele falou sobre criar um gancho com apenas uma página. Foi daí que surgiu a ideia mais básica de Tamers: um cara acorda e vê que botou um ovo. A partir disso, pensei em fazer uma publicação física para vender e me estrear na Anime Friends. No entanto, eu não tinha muita confiança no meu desenho na época."
O mangaká resolveu conversar com Eruru e Maurício Ossamu, que o ajudaram a tirar a ideia do papel: "Foi então que entrei em contato com a Eruru e o sensei Maurício, que aceitaram cuidar da arte. Fizemos algumas reuniões para editar minha história e torná-la ainda mais divertida para os leitores. Nessa reunião, também contamos com a ajuda de Israel Guedes, autor do mangá T-Hunters. Nesse meio tempo, a Shonen West entrou no projeto, e graças a eles, Tamers se tornou minha primeira história publicada."
Matheus Avanço já tem planos para novas histórias que, assim como Tamers, possuem clássicos dos mangás japoneses como inspiração: "Eu tenho uma grande quantidade de histórias guardadas, e uma delas eu já levei para editoras japonesas em forma de 'name', obtendo ótimos feedbacks. Minhas obras favoritas e principais inspirações são, com certeza, as da autora Hiromu Arakawa, criadora de Fullmetal Alchemist. Além dela, adoro obras como Jujutsu Kaisen, Bleach, Konjiki no Gash!!, Beastars, e One Piece, sendo essas as minhas principais influências."
Sobre o mercado nacional de mangás, o autor comenta: "Temos uma capacidade gigantesca. No entanto, sempre tivemos uma visão extremamente limitada sobre o assunto. Apenas agora estamos dando os primeiros passos para ajudar várias pessoas, incluindo eu, a realizar o sonho de criar nossas próprias obras. Com elas, podemos mostrar não só nossa criatividade, mas também nossa capacidade de fazer o mangá crescer mais em conteúdo, forma de arte e entretenimento. Se limitarmos demais essa expressão, não iremos ajudá-la, mas sim sufocá-la. O mangá, seja arte, entretenimento, ou o que quer que você considere, merece essa liberdade."
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Matheus Nóbrega é um estudante que começou a se interessar por mangás aos 15 anos: "Eu comecei a ter interesse em mangás depois de uma semana desenhando por hobby (em 2017, quando tinha 15 anos!). Eu percebi que tinha resiliência e interesse em tentar aprender a desenhar do zero, e talvez, em um futuro muito distante, eu poderia realizar meu sonho de infância: ter um anime popular de uma obra minha. Então, desde aquele momento, me dediquei e não parei até agora!"
O mangaká conta que suas obras surgiram não só de suas inspirações, mas também de muito trabalho árduo e treino: "Minhas inspirações no início foram Boichi, Yusuke Murata e Akira Toriyama. Eu olhava para o trabalho deles e tentava ao máximo replicar e entender suas técnicas e habilidades (mesmo que eu não conseguisse). Foi uma época de treino intenso, focado nas noções básicas de arte, desenhando 24/7! Quando me senti confiante o suficiente para treinar a arte do mangá, comecei a lançar mangás pela internet de forma discreta, sem pretensão de ser popular, era puramente para treino!"



Durante a pandemia, Matheus sentiu-se pronto para começar a trabalhar profissionalmente com mangás: "Me senti confiante e habilidoso o suficiente para começar a fazer mangás de verdade, tentando iniciar minha carreira e mostrar meus trabalhos. Apesar da forte influência de Yusuke Murata, Boichi e Akira Toriyama, foi nessa época que meus gostos e minha visão começaram a mudar". Ele também destaca como seus estudos de narrativa trouxeram novas influências: "Comecei a me interessar e estudar mangás shoujo e slice-of-life. Isso mudou bastante o meu traço, que se aproximou do atual. Minhas principais inspirações dessa época foram: Kamome Shirahama."
A obra Alice Animo surgiu como uma tentativa de participar da Action Hiken do Estúdio Armon, mas a história foi rejeitada: "Logo após ter sido rejeitada, descobri um site que, na época, era novo, mas hoje é bem popular: o Fliptru. Lá, recebi apoio da LQN (Lendo Quadrinhos Nacionais) e da Tropa do Lamen, que me ajudaram muito a promover Alice Animo na Fliptru. Foi um sucesso! Consegui ficar em primeiro lugar por dois meses no ranking de popularidade geral do site, e a obra foi mencionada em uma palestra com Marcus Beck e Tiago Spiked!"
Matheus Nóbrega também falou sobre como entrou na linha editorial da Shonen West: "Depois do sucesso da versão antiga de Alice Animo, o Estúdio Armon me chamou para um projeto com a obra. Mas, na época, eu já estava em conversas e interessado na editora em que estou hoje: a própria Shonen West! Depois de muito treino, estudo e paciência, adquiri habilidade suficiente para estrear na segunda edição da magazine da Shonen West. Foi uma conquista emocional e uma honra ter essa chance de estar na Shonen West, evoluindo meu trabalho, ainda mais ao lado de ídolos como Maurício Sensei e o próprio Boichi!"



O autor compartilhou suas principais referências e revelou que Alice Animo não foi sua primeira obra: "Minhas inspirações incluem Baki, Dragon Ball Z/Super, Kengan Ashura/Kengan Ômega, One Punch Man e Sun Ken Rock. Mas, quando se trata de benchmark para melhorar meu trabalho atual e a própria Alice Animo, estou lendo Black Clover, Fairy Tail, One Punch Man, Dragon Ball Z, My Hero Academia e Chainsaw Man. Vale lembrar que Alice Animo não foi minha primeira obra! Eu já publiquei uma história chamada Simple Earth, que cancelei, e O Vale Tudo de Lâmia Jin, que está em hiato para eu focar em Alice Animo na Shonen West. Mas tenho muita vontade de publicar O Vale Tudo de Lâmia Jin na Shonen West futuramente!"
Por fim, o mangaká comentou sobre o mercado brasileiro: "Vejo um potencial infinito, porém, as questões sociais e culturais dos consumidores, juntamente com a falta de mercado de mangás e suas técnicas no Ocidente, são definitivamente o maior desafio atual. Mas acredito fielmente que a Shonen West vai mudar isso!"
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A Shonen West conversou com Vitor Moraes, mais conhecido como Vitor Bardo, autor de Jonas, o Quase Mago, que nos contou sobre sua paixão por The Legend of Zelda: "Comecei a escrever e desenhar mangá aos dez anos, quando li o mangá de The Legend of Zelda. Eu já amava o jogo, mas ver o mangá mudou minha vida. Decidi que queria fazer algo daquele jeito."

O mangaká comenta que Jonas, o Quase Mago já é sua sexta história, e que a premissa surgiu de forma divertida com seu irmão: "Jonas surgiu de maneira engraçada, eu ficava imaginando situações engraçadas de RPG com meu irmão. Nós ficávamos falando das situações e rindo. Foi assim."
O engenheiro de dados também mencionou como suas referências o ajudaram, não só na criação de Jonas, mas também de Algaia: "Dr. Slump, Dragon Ball Clássico, Gintama e Demon Slayer são grandes influências. Jonas, o Quase Mago é a minha sexta história, e Algaia foi a primeira, que ainda mantenho até hoje."

Bardo compartilhou sua visão sobre o mercado nacional de mangás e como o público brasileiro é bem diferente do japonês: "Honestamente, o mercado brasileiro é difícil. A maior dificuldade é que nosso público não trata os artistas como os japoneses tratam os deles. No Japão, você pega um mangá para ler e se divertir."
Como membro da indústria, o mangaka começou a consumir obras de autores brasileiros: "Eu mesmo comecei a ler muitos mangás e HQ 's nacionais. Tenho uma estante só deles, e tem coisas incríveis. Alguns com traços e histórias lindas, outros com traços mais modestos, mas histórias fenomenais, e alguns com traços lindos e histórias que não me pegaram. No fim, os que mais me prenderam foram os que me divertiram. Acho que falta isso na cabeça do público."
Para Bardo, o brasileiro avalia as obras nacionais usando histórias japonesas como referência, o que prejudica o consumo, já que são universos completamente distintos: "Aqui, as pessoas já pegam um mangá para fazer uma avaliação editorial completa, comparando com os japoneses, que têm mais de 90 ou 100 anos de indústria. Nosso público hoje espera que, para um brasileiro ser aceito, ele desenhe como o Yusuke Murata, sendo que nem todos os japoneses são assim."
O mangaká conclui com uma mensagem para os consumidores brasileiros: "Claro que todos nós estamos nos esforçando para melhorar as técnicas e oferecer o melhor ao público. Mas, se eu pudesse dizer algo que ajudaria o mercado como um todo, seria: leiam as histórias para se divertir. Confiem nos artistas e editores, estamos precisando de público."
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Conversamos com Filipe, mais conhecido como Sr. Inkman, autor de Blue Steel, primeiro lugar no Ranking All Times na Shonen West. O autor, que também é escultor 3D, começou sua carreira fazendo apenas ilustrações e fanarts, mas não de forma comercial. O mangaká contou que começou a trabalhar em sua obra original após receber apoio do autor de Bulls Eye: “Comecei a escrever mangás depois de trabalhar como assistente do autor de Bulls Eye, Bugaisha. Ele me incentivou a criar minhas próprias histórias e a trabalhar como autor.”

Inkman também falou sobre sua relação com mangás e a cultura geek em geral: “Gosto de muitas coisas: mangás, comics, filmes, música... Enfim, aprecio vários tipos de mídias. No mundo dos mangás, me inspiro em Vinland Saga, Akira, Slam Dunk, Sakamoto Days, Monster, 20th Century Boys, entre outros.” No entanto, sua jornada como mangaká é relativamente nova, já que começou a atuar na Shonen West em meados de outubro de 2022 como assistente, sendo Blue Steel sua segunda história.

O autor explica que sua primeira história ainda não foi publicada, pois precisava ser lapidada: “A primeira história que apresentei ao departamento editorial não foi aceita porque a forma como a apresentei era muito amadora. Senti que precisava amadurecer como mangaká para poder contá-la da melhor forma possível, então a deixei de lado. Decidi escrever outra história: Blue Steel. No entanto, não foi algo que aconteceu de imediato. Após repetidas reuniões e correções de names, consegui finalmente publicar Blue Steel. Tudo o que aprendi e venho aprendendo, espero poder aplicar na minha primeira história um dia e compartilhá-la com as pessoas.”
Inkman também compartilhou sua visão sobre o mercado brasileiro de mangás: “Quanto ao mercado nacional, tenho um sentimento positivo de crescimento. Com várias iniciativas, como a Shonen West e outras, acredito que podemos criar algo realmente gratificante e promissor, onde o autor possa viver disso e expandir cada vez mais sua arte para o mundo. Há muitos artistas talentosos no Brasil, mas ainda falta um direcionamento adequado que os ajude a se destacar globalmente. Por isso, precisamos nos esforçar e nos apoiar mutuamente.”
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Mauricio Lima de Souza (sim, igual ao Mauricio de Souza) é o autor e ilustrador de Fablend, uma história que já ocupou o primeiro lugar no ranking da Shonen West. Ele contou um pouco de sua trajetória como mangaká brasileiro. Natural do Espírito Santo, Mauricio sempre foi apaixonado por histórias, mas foi durante um curso de criação de mangás, ministrado por Maurício Ossamu (editor-chefe da Shonen West), que o autor começou a trilhar seu caminho como escritor: “Criar histórias sempre foi algo que me cativou, então sempre gostei de montá-las na minha cabeça. Ainda assim, era algo bem amador. Comecei a entender de verdade o que era mangá quando fiz o curso da Me2 Art Studio, onde aprendi as técnicas direto da fonte.”
Para a inspiração de Fablend, o mangaká revelou que a ideia surgiu durante uma aula sobre histórias clássicas e como elas podem ser readaptadas com diferentes perspectivas: “Estávamos em uma aula onde aprendíamos sobre como histórias clássicas podem ser contadas de maneiras diferentes, e a ideia de transformar um conto de fadas em um battle shonen me surgiu.” Ainda conversando sobre seus trabalhos, Mauricio contou um pouco de obras anteriores a Fablend: “Meu primeiro mangá (feito na época com um amigo da faculdade, antes do curso da Me2) se chama Emotion, mas ele não foi finalizado. Também fiz um mangá chamado Guide Star, com o qual tenho planos para o futuro.”


Além disso, Mauricio também falou sobre as obras que o inspiraram na criação das aventuras em Fablend: Katekyo Hitman Reborn!, Konjiki no Gash Bell e Black Clover. Em termos de referências mais concretas, o mangaká mencionou The Hunter's Guild: “Creio que a principal obra que ajudou na concepção foi The Hunter's Guild: Red Hood. Acompanhei o lançamento e gostava muito de como a recontagem de um conto poderia trazer uma sensação de familiaridade, mesmo sendo um mundo novo. Shrek também teve certo impacto na idealização temática (por incrível que pareça).”

O autor finalizou comentando também sobre o mercado de mangás brasileiros e como muitos escritores acabam ficando no anonimato perante os consumidores: “A maioria dos artistas é invisível. Não há tanto público para que você se sinta motivado a melhorar em algo que, para ser sincero, exige muito tempo e esforço. Para minha alegria, a Shonen West criou um espaço em que os artistas estão muito motivados, principalmente pelo aprendizado genuíno de como fazer algo que para nós sempre foi um sonho de entender.”
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Você conhece as histórias da Shonen West até aqui?
Acerte o maior número de respostas em menor tempo e concorra a um Sketch personalizado do seu autor favorito SW!
O Sketch é um esboço que os artistas utilizam para dar vida as suas idéias:

REGULAMENTO:
Como funciona:
1 - Abra o Quiz SW! LINK
2 - Responda as 25 perguntas o mais rápido possível.
3 - Os 8 participantes que acertarem mais respostas em menor tempo, serão premiados.
Premiação:
- 8 vencedores premiados e 2 suplentes.
- Os primeiros colocados escolherão de qual artista vão querer receber o Sketch.
- Uma vez que um Artista já foi escolhido, o próximo vencedor terá que escolher outro.
Vencedores:
- Os vencedores serão contactados pelo e-mail cadastrados em suas contas da Shonen West dia 31/08/2024.
- As prôximas instruções serão enviadas pelo contato de e-mail.
- Não serão aceitos pedidos que envolvam, nudez explícita, assuntos sensíveis, violência brutal, conteúdo +18 em geral e direitos autorais de obras externas.
- As Sketchs serão enviadas de volta aos e-mails dos vencedores e publicadas nas redes sociais da SW.
Data:
- O Quiz estará aberto do dia 15/08/2024 até o dia 30/08/2024.
- A divulgação dos vencedores será no dia 31/08/2024.
- Os vencedores terão até o dia 7/09/2024 para enviar as especificações do pedido.
- A publicação dos Sketchs será feita em qualquer momento após o dia 10 de Setembro.
Observações:
- Em caso de não envio dos pedidos, o vencedor será substituído por um suplente
- No caso de não envio dos suplentes, os vencedores serão decididos de forma deliberada pelo departamento editorial.
Clique e Participe!
O Voice Comic de Kintsugi Warrior já está disponível no nosso canal do YouTube!
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Assista agora e mergulhe nessa aventura!
Você sabe tudo sobre o projeto Shonen West? Participe do nosso evento e concorra a Medalhas de Votação!!
Como funciona:
1 - Acesso o Quiz SW pelo banner no Homepage, ou pela aba de eventos da sua conta!
2 - Responda as 9 perguntas o mais rápido possível.
3 - Os 3 participantes que acertarem mais respostas em menor tempo, serão premiados.
Vencedores:
- Os vencedores receberão as Medalhas de Votação em seus perfis de usuário.
- As Medalhas serão válidas para o mês de Agosto, Setembro e Outubro.
Data:
- O Quis estará aberto do dia 08/08 até o dia 15/08.
- A divulgação dos vencedores será no dia 17/08.
Premiação:
- Serão 3 vencedores:
- 1° Colocado: 2 Medalhas de Ouro; 2 de Prata; 2 de Bronze.
- 2° Colocado: 1 Medalha de Ouro; 1 de Prata; 2 de Bronze
- 3° Colocado: 1 Medalha de Prata; 1 de Bronze.
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