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Conversamos hoje com Lightnningz, um nome que — curiosamente — não vem de Death Note, já que o artista nunca leu ou viu a obra. Ele é um dos responsáveis por Asaghar. O mangaká começou a desenhar ainda criança:  “Comecei a desenhar desde pequeno como uma forma de distrair a mente e sair do mundo real. No desenho eu podia criar o que quisesse, sem limites. Com o tempo, fui me desafiando — quanto mais difícil ficava, mais divertido era pra mim.”

O autor também contou sobre as obras que utiliza como inspiração:  “Minhas obras favoritas são Naruto, Dragon Ball, One Piece, Bleach e Hunter x Hunter — eu gosto muito dos shounens clássicos. O artista que mais me inspirou foi o Masashi Kishimoto, que inclusive nasceu no mesmo dia que eu. Além deles, Soul Eater e, mais recentemente, Gachiakuta também me influenciaram bastante.”

Lightnningz explica que escolheu o universo dos mangás por achar as obras divertidas e acessíveis, mesmo convivendo com a dislexia:  “Escolhi a área dos mangás porque era o que mais me agradava. Sempre gostei de ler, e mesmo com dislexia, ler mangá era algo muito divertido. Eu gostava de estudar sobre o assunto e tentar aprender cada vez mais.”

O artista ressalta que entrou há pouquíssimo tempo no universo dos desenhos:  “Comecei como autor e ilustrador sem entender nada, meio perdido — e até hoje ainda estou aprendendo. Minha carreira é relativamente nova, tem cerca de um ano. Entrar na Shonen West me ajudou muito: conheci pessoas incríveis que me deram apoio, como o Mauniks e a Sleepgry, que contribuíram bastante para a minha evolução.”

Sobre a criação de Asaghar, o artista divide a autoria com Fênix, em um processo único que funciona muito bem para a dupla:  “O processo de criação em Asaghar é meio louco (risos). Eu e o Fênix, dois malucos, trabalhamos de um jeito bem diferente. Não existe uma divisão clara entre arte e roteiro — apesar de eu ser o ilustrador, a maioria das ideias nasce em conversa. A gente cria tudo junto, do início ao fim, e depois divide o ‘bruto’: o Fênix escreve o que criamos e eu desenho o que imaginamos. É um processo orgânico, sem um padrão lógico, mas que funciona bem pra gente. Asaghar não é minha primeira história; tenho algumas outras que, um dia, verão a luz do sol.”

Lightnningz encerra a entrevista falando um pouco sobre o mercado brasileiro de mangás:  “Vejo o mercado brasileiro ainda muito pequeno, mas com potencial de crescimento. Temos grandes artistas, só que faltam oportunidades, valorização e incentivo. Acho que iniciativas como a Shonen West podem ajudar a mudar isso — é uma questão de tempo. Hoje, o artista brasileiro não pode ser só artista: tem que ser tiktoker, youtuber, dançarino, cobrador de ônibus... tem que ser tudo (risos). Mas, sinceramente, não vejo isso como algo ruim — acaba sendo até mais divertido.”

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A Shonen West marcou presença na primeira edição do Comic Market Brasil, um evento que reuniu artistas e empreendedores em um grande encontro dedicado aos quadrinhos. Conversamos com os editores da SW, Eruru e Mac,  que contaram um pouco de como foi o evento: “O Comic Market, de início, parecia algo promissor, mas habitava a zona do desconhecido. A dúvida não era se seria bom, mas sim como tudo iria acontecer, como as coisas se desenrolariam e como o público aceitaria aquilo… Porém, após estar presente no evento, tanto como expositor quanto como visitante, minha impressão saiu de “promissor” para “muito mais do que promissor”. O evento se mostrou um marco neste ramo, e eu não estou sendo poético. Ver a quantidade de pessoas interessadas pelo lado mais profissional da arte, do quadrinho, do mangá, me fez perceber que agora há um norte no caminho a ser trilhado”, diz Mac.

Eruru afirma que a qualidade das obras que estavam em qualidade internacional: “Eu vou ser sincera, e dizer que fiquei extremamente triste de não poder andar nas mesas e sair comprando as zines e os quadrinhos nacionais. Tinhas muita coisa com qualidade! Qualidade de você olhar para a obra, e falar “Bixo, isso aqui tem qualidade internacional!”. O CMB conseguiu mostrar que temos demanda para o mercado, e que tem muita gente com técnica, talento e portfólio nesse mercado. Muito artista nacional que não costuma ficar no foco, e que ninguém conhece, mas que está ativo no mercado americano e europeu, deu as caras no evento. Tinha muita coisa de babar em cima que mostrou o real nível brasileiro de mangas e quadrinhos nacionais.”, afirma Eruru.

O evento foi tão movimentado que Eruru praticamente não conseguiu circular pois o estande da Shonen West estava sempre lotado, principalmente por causa do Mochikomi (experiência de um mangaká apresentar sua obra pessoalmente a um editor para avaliação): “Em outros eventos menores, que a SW esteve presente. Também tivemos Mochikomi. Como não era um evento focado para o quadrinho/manga nacional, nunca tivemos muito movimento no nosso Mochikomi. Porém, esse evento foi a nossa estreia! Nenhum editor nosso ficou livre! Tivemos fila com mais de 30 nomes em espera para fazer Mochikomi com o nosso Editor-Chefe. Todo editor estava sempre sentado, dando feedback para os artistas. E tinha artista que votou para falar com todos os nossos editores! Foi maravilhoso!”

Para Mac, um dos pontos altos do evento foi seu público: ‘Tínhamos um público altamente engajado, um público com “brilho nos olhos”. Na minha visão inicial, teríamos muitos curiosos, muitos interessados, mas eu nunca imaginei que veria uma multidão em busca de informação para concretizar o próprio futuro. Fiquei me perguntando: quantos imaginavam que essa realidade seria possível tão cedo? Quantos imaginavam que isso estaria disponível no Brasil? Algo que é tipicamente feito no Japão e que nunca esteve presente em nosso território.”

O eventou contou com Masterclass, o Mochikomi e diversas outras atividades voltadas para o universo dos quadrinhos e mangás, mas o maior destaque foi a presença por vídeo chamada de Boichi (autor de Dr.Stone): “Ao colocarmos o Boichi na Tela, o pessoal foi a loucura. Estava lotado. Até fecharam as portas pq não podia entrar mais ninguém. A primeira parte da palestra, foram sábias palavras da vida do Boichi e como ele chegou aonde ele chegou. Ele deixou claro que ele era pobre, como muitos brasileiros, e desenhava em folhas de jornal usados pq não tinha aonde desenhar. Ele se via em muitos brasileiros, que estão em situações parecidas, aonde é um privilégio conseguir ter tempo e material para estudar desenho e desenhar. Mas ele deixou claro, que dá para chegar lá! E ele vê sim, que o Brasil tem muito potencial para desenvolver o ecossistema e que nós podemos chegar lá com suporte do governo, empresas e oportunidades para brilhar!

A palestra encerrou com a confirmação da segunda edição do Comic Market sendo confirmado para 2026 e Boichi querendo ser convidado para participar.

A Shonen West com a Sté, a quadrinista é responsável por The Demon’s Blacksmith que contou como começou seu amor por mangás:  “Acredito que vem desde criança. Minha mãe comentava que eu criava histórias ilustradas, e, conforme olho para trás, percebo que isso foi me acompanhando à medida que fui crescendo. Quando surgiam as oportunidades, eu tentava estudar por conta própria sobre desenho e roteiro, até conseguir pagar por cursos. Eu era muito apaixonada por games e animes, principalmente pelas histórias que eles contavam, e queria poder fazer algo parecido. Ser mangaká freelancer era algo que nunca esteve nos meus planos, simplesmente aconteceu. Porém, sou grata por isso, porque, além de ser algo que gosto, me permite manter minha casa, minha vida e meus dogos, como qualquer outro trabalho!”

Seu começo no universo dos mangás aconteceu de uma forma inesperada:  “Bom, ser mangaká foi meio ‘do nada’, então transitei por alguns caminhos: tatuagem, concept art para games, animação 2D, design gráfico, publicidade, ilustração científica para apostilas de medicina e também animações didáticas na Fiocruz, até cair de paraquedas no mangá.”

Ela conta que, durante esse processo, começou a criar materiais autorais: “Durante esse período, eu produzi alguns projetos autorais por hobby, já que viver de desenho sempre foi um ‘tabu’, e havia poucas informações em português a respeito disso. Como gostava muito de contar histórias, fiz alguns cursos sobre HQ americana e européia. Até que, anos depois, pude conhecer a Me2Art e aprender mais sobre o processo japonês, em 2023. Nessa época, eu já trabalhava em tempo integral como artista de quadrinhos e mangás desde 2022. Aprendi muitas coisas com a Eruru e com o Maurício-sensei, que me possibilitaram melhorar meu trabalho, além de muitas dicas que recebi e que só passaram a fazer sentido para mim este ano (coisa doida, né?).”

Por um tempo, a mangaká focava apenas em trabalhar para artistas estrangeiros, mas com o apoio do Maurício-sensei, ela enviou duas propostas para a Shonen West:  “Como passei por alguns projetos pessoais que não avançaram e por questões de segurança do meu trabalho, acabei focando em trabalhar para outros autores gringos. Isso me deu espaço para aprender bastante coisa e ganhar experiência de produção. Durante as mentorias da Me2Art, o Maurício-sensei sempre incentivava minha produção autoral, que ajudaria ainda mais no meu crescimento profissional. Até que, após alguns meses trabalhando apenas em obras de outros autores, entrei na SW, apresentei duas propostas e uma delas era The Demon’s Blacksmith. E cá estou hoje, produzindo TDB de forma ‘autoral’ na SW e vivendo do meu trabalho com outros autores de projetos distintos.”

Como The Demon’s Blacksmith foi a obra escolhida para publicação na Shonen West, a mangaká contou também como surgiu a história:  “A ideia de TDB surgiu em 2019, após assistir a um episódio de Hora de Aventura (A espada de grama). Naquele dia, fiquei ponderando ideias e, como eu estava participando de um desafio de desenho naquela semana, acabei criando o personagem e sua lore! Mas, como podem imaginar, era bem diferente do que conhecemos hoje. Depois de alguns anos, considerei publicar a história, mas decidi testá-la em uma mesa de RPG, o que me animou mais — porém, o personagem morreu na segunda sessão...”

A quadrinista também falou sobre seus primeiros projetos, antes de se dedicar a The Demon’s Blacksmith:  “Antes de TDB, tentei trabalhar em alguns projetos: GTK (Guns to Kill) e Paper Chains, mas acabei abandonando por questões pessoais e inseguranças (tenho muita vontade de voltar a produzir, quem sabe um dia). Porém, consegui lançar Maldita Sorte e Tudo ou Nada. Maldita Sorte foi meu trabalho de conclusão de curso de quadrinhos, e Tudo ou Nada foi produzido em conjunto com um roteirista e uma colorista. Fomos finalistas do concurso da editora Guará no mesmo ano de publicação. Também participei do SMA em parceria com o autor de The Astral Age, um dos mangás no qual sou contratada como artista.”

Diversas obras influenciam o trabalho de Sté:  “Minhas obras favoritas atualmente são: D.Gray-man, Fullmetal Alchemist e Black Lagoon. As que mais me inspiram no meu trabalho, com certeza, são Black Clover e Fullmetal. Mas eu sempre busco ler mangás diversos para absorver o jeito único que cada mangaká tem de contar histórias. Além disso, gosto de criar um ‘Frankenstein’ de referências para elementos distintos, assim consigo absorver mais facilmente e adaptar/desenvolver algo mais do meu estilo. Tento ter experiências com outras mídias, como filmes e séries, para poder estudar ideias. Gosto muito de filmes de terror, pois sempre me dão ideias legais.”

A mangaká encerrou a entrevista falando sobre o mercado brasileiro e sobre seus trabalhos futuros: “Publicar TDB me deixou mais animada para novos projetos. Já discuti alguns deles com a minha editora, e outro, em específico, irei retomar por também ser um projeto de conclusão — mas da Me2Art Studio. Torçam por mim! Pretendo lançar novos projetos fora da SW também, futuramente. Estou estudando coisas novas e gostaria de testar outros tipos de histórias e formatos. Eu vejo que existe uma cena que está se movimentando para tentar trazer um ‘mercado’, de fato. Tenho expectativas positivas, mas o processo é a longo prazo. Talvez as gerações mais novas possam desfrutar melhor dos frutos. Mas, independente de qualquer coisa, sei que vamos continuar produzindo e tentando chegar aos leitores.”

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A Shonen West conversou com Vitor Moraes, mais conhecido como Vitor Bardo, autor de Jonas, o Quase Mago, que nos contou sobre sua paixão por The Legend of Zelda: "Comecei a escrever e desenhar mangá aos dez anos, quando li o mangá de The Legend of Zelda. Eu já amava o jogo, mas ver o mangá mudou minha vida. Decidi que queria fazer algo daquele jeito."

O mangaká comenta que Jonas, o Quase Mago já é sua sexta história, e que a premissa surgiu de forma divertida com seu irmão: "Jonas surgiu de maneira engraçada, eu ficava imaginando situações engraçadas de RPG com meu irmão. Nós ficávamos falando das situações e rindo. Foi assim."

O engenheiro de dados também mencionou como suas referências o ajudaram, não só na criação de Jonas, mas também de Algaia: "Dr. Slump, Dragon Ball Clássico, Gintama e Demon Slayer são grandes influências. Jonas, o Quase Mago é a minha sexta história, e Algaia foi a primeira, que ainda mantenho até hoje."

Bardo compartilhou sua visão sobre o mercado nacional de mangás e como o público brasileiro é bem diferente do japonês: "Honestamente, o mercado brasileiro é difícil. A maior dificuldade é que nosso público não trata os artistas como os japoneses tratam os deles. No Japão, você pega um mangá para ler e se divertir."

Como membro da indústria, o mangaka começou a consumir obras de autores brasileiros: "Eu mesmo comecei a ler muitos mangás e HQ 's nacionais. Tenho uma estante só deles, e tem coisas incríveis. Alguns com traços e histórias lindas, outros com traços mais modestos, mas histórias fenomenais, e alguns com traços lindos e histórias que não me pegaram. No fim, os que mais me prenderam foram os que me divertiram. Acho que falta isso na cabeça do público."

Para Bardo, o brasileiro avalia as obras nacionais usando histórias japonesas como referência, o que prejudica o consumo, já que são universos completamente distintos: "Aqui, as pessoas já pegam um mangá para fazer uma avaliação editorial completa, comparando com os japoneses, que têm mais de 90 ou 100 anos de indústria. Nosso público hoje espera que, para um brasileiro ser aceito, ele desenhe como o Yusuke Murata, sendo que nem todos os japoneses são assim."

O mangaká conclui com uma mensagem para os consumidores brasileiros: "Claro que todos nós estamos nos esforçando para melhorar as técnicas e oferecer o melhor ao público. Mas, se eu pudesse dizer algo que ajudaria o mercado como um todo, seria: leiam as histórias para se divertir. Confiem nos artistas e editores, estamos precisando de público."

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Conversamos com Filipe, mais conhecido como Sr. Inkman, autor de Blue Steel, primeiro  lugar no Ranking All Times na Shonen West. O autor, que também é escultor 3D, começou sua carreira fazendo apenas ilustrações e fanarts, mas não de forma comercial. O mangaká contou que começou a trabalhar em sua obra original após receber apoio do autor de Bulls Eye: “Comecei a escrever mangás depois de trabalhar como assistente do autor de Bulls Eye, Bugaisha. Ele me incentivou a criar minhas próprias histórias e a trabalhar como autor.”

Inkman também falou sobre sua relação com mangás e a cultura geek em geral: “Gosto de muitas coisas: mangás, comics, filmes, música... Enfim, aprecio vários tipos de mídias. No mundo dos mangás, me inspiro em Vinland Saga, Akira, Slam Dunk, Sakamoto Days, Monster, 20th Century Boys, entre outros.” No entanto, sua jornada como mangaká é relativamente nova, já que começou a atuar na Shonen West em meados de outubro de 2022 como assistente, sendo Blue Steel sua segunda história.

O autor explica que sua primeira história ainda não foi publicada, pois precisava ser lapidada: “A primeira história que apresentei ao departamento editorial não foi aceita porque a forma como a apresentei era muito amadora. Senti que precisava amadurecer como mangaká para poder contá-la da melhor forma possível, então a deixei de lado. Decidi escrever outra história: Blue Steel. No entanto, não foi algo que aconteceu de imediato. Após repetidas reuniões e correções de names, consegui finalmente publicar Blue Steel. Tudo o que aprendi e venho aprendendo, espero poder aplicar na minha primeira história um dia e compartilhá-la com as pessoas.”

Inkman também compartilhou sua visão sobre o mercado brasileiro de mangás: “Quanto ao mercado nacional, tenho um sentimento positivo de crescimento. Com várias iniciativas, como a Shonen West e outras, acredito que podemos criar algo realmente gratificante e promissor, onde o autor possa viver disso e expandir cada vez mais sua arte para o mundo. Há muitos artistas talentosos no Brasil, mas ainda falta um direcionamento adequado que os ajude a se destacar globalmente. Por isso, precisamos nos esforçar e nos apoiar mutuamente.”

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Mauricio Lima de Souza (sim, igual ao Mauricio de Souza) é o autor e ilustrador de Fablend, uma história que já ocupou o primeiro lugar no ranking da Shonen West. Ele contou um pouco de sua trajetória como mangaká brasileiro. Natural do Espírito Santo, Mauricio sempre foi apaixonado por histórias, mas foi durante um curso de criação de mangás, ministrado por Maurício Ossamu (editor-chefe da Shonen West), que o autor começou a trilhar seu caminho como escritor: “Criar histórias sempre foi algo que me cativou, então sempre gostei de montá-las na minha cabeça. Ainda assim, era algo bem amador. Comecei a entender de verdade o que era mangá quando fiz o curso da Me2 Art Studio, onde aprendi as técnicas direto da fonte.” 

Mauricio Lima fala como surgiu a inspiração para Fablend

Para a inspiração de Fablend, o mangaká revelou que a ideia surgiu durante uma aula sobre histórias clássicas e como elas podem ser readaptadas com diferentes perspectivas: “Estávamos em uma aula onde aprendíamos sobre como histórias clássicas podem ser contadas de maneiras diferentes, e a ideia de transformar um conto de fadas em um battle shonen me surgiu.” Ainda conversando sobre seus trabalhos, Mauricio contou um pouco de obras anteriores a Fablend:  “Meu primeiro mangá (feito na época com um amigo da faculdade, antes do curso da Me2) se chama Emotion, mas ele não foi finalizado. Também fiz um mangá chamado Guide Star, com o qual tenho planos para o futuro.” 

Além disso, Mauricio também falou sobre as obras que o inspiraram na criação das aventuras em Fablend: Katekyo Hitman Reborn!, Konjiki no Gash Bell e Black Clover. Em termos de referências mais concretas, o mangaká mencionou The Hunter's Guild: “Creio que a principal obra que ajudou na concepção foi The Hunter's Guild: Red Hood. Acompanhei o lançamento e gostava muito de como a recontagem de um conto poderia trazer uma sensação de familiaridade, mesmo sendo um mundo novo. Shrek também teve certo impacto na idealização temática (por incrível que pareça).” 

Mauricio Lima fala sobre trajetória de mangaká

O autor finalizou comentando também sobre o mercado de mangás brasileiros e como muitos escritores acabam ficando no anonimato perante os consumidores: “A maioria dos artistas é invisível. Não há tanto público para que você se sinta motivado a melhorar em algo que, para ser sincero, exige muito tempo e esforço. Para minha alegria, a Shonen West criou um espaço em que os artistas estão muito motivados, principalmente pelo aprendizado genuíno de como fazer algo que para nós sempre foi um sonho de entender.” 

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