
Conversamos hoje com Filipe Gazen, autor de Bliss e Aurora, que contou para a Shonen West como começou a escrever mangás: “Sempre gostei muito de desenhar e fui fã de animes desde a infância, em Vitória-ES. Nos anos 90, com a publicação de Cavaleiros, Rayearth, Samurai X, Sakura e outros títulos, tomei gosto também por mangás. Na época do ensino médio comecei a escrever e desenhar histórias curtas, de 6 a 12 páginas, apenas por diversão.”

Filipe tem como inspiração obras shoujo e seinen, além do gênero fantasia: “Na infância, minhas principais referências eram Sailor Moon, Evangelion, Holy Avenger, Rayearth e todas as obras do grupo CLAMP. Gosto muito também de obras literárias como O Senhor dos Anéis. Outras obras que passei a ver como referências e grandes inspirações foram Battle Angel Alita e Vagabond, além de todo o catálogo do Junji Ito e do Inio Asano.”

Durante o ensino médio, Gazen conta que iniciativas como a SW ainda não existiam, então o sonho de ser mangaká era destinado somente aos japoneses: “Ao chegar na época do vestibular, influenciado pela crença de que não existia futuro para quem quisesse desenhar mangá no Brasil, optei por seguir o caminho da publicidade, marketing e design gráfico. Com essa decisão, meu lado desenhista ficou adormecido por alguns anos, até que, na época da pandemia, descobri os concursos internacionais de mangá.”
Foi durante a pandemia que Filipe conseguiu dar início à sua carreira de mangaká: “Em 2020 desenhei minha primeira história para o concurso Silent Manga Audition, da editora japonesa Coamix. Após participar desse e de outros concursos por quatro anos, uma das minhas histórias (The Ocean Remembers) ganhou o 2º lugar no concurso anual do Bunkyo – SP, e outra (Solitude) foi selecionada como finalista em um concurso da editora Kadokawa (Wordless World Manga Contest). Em 2024, após o bom desempenho nessas edições dos concursos, me senti melhor preparado e confiante para compartilhar meu trabalho e comecei a procurar outros artistas e produtores de conteúdo nacional nas redes sociais. Foi nessa época que conheci a Shonen West.”

O mangaká contou como surgiram Bliss e Aurora: “Bliss e Aurora não são minhas primeiras histórias. Antes delas, submeti outras histórias para concursos (The Ocean Remembers e Power of a Smile são dois exemplos). Como a regra dos concursos era a criação de mangás ‘silenciosos’ (sem diálogos), essas histórias têm essa característica. Além disso, tenho alguns outros one-shots iniciados e nunca finalizados.”
Bliss surgiu durante uma época em que o autor buscava tempo para desenvolver suas técnicas artísticas, por isso demorou para publicá-la: “Foi um processo lento de tentativa, erro e correções. Um tempo depois, fiz diversas alterações com a ajuda das orientações do Maurício Ossamu-sensei e do departamento editorial da Shonen West. Eu a aperfeiçoei até o último dia do prazo, e ela ficou finalmente pronta para publicação!”

Já Aurora surgiu da ideia de exercitar a capacidade de transmitir claramente os sentimentos da personagem em imagens e expressões faciais: “Aprendi que isso é fundamental no mangá para transmitir as emoções ao leitor e tornar o consumo divertido. Tive vontade também de criar uma atmosfera visual mais leve, delicada e etérea, mas ainda dentro do gênero fantasia. Esses objetivos combinados me levaram ao conceito de uma pequena deusa, que tem seus sentimentos e seu estado de humor refletidos nos céus e no clima.”

O mangaká encerra a entrevista dando sua visão sobre o mercado brasileiro de mangás: “Durante muito tempo eu acreditava que nunca existiria um mercado aquecido para quadrinistas no Brasil, mas recentemente fui surpreendido pelo surgimento de diversas iniciativas com bons resultados e me animei muito com as possibilidades para o futuro — e a Shonen West é uma delas. É muito bom ver que hoje existem consumidores interessados nos quadrinhos nacionais e muitos profissionais empenhados em criar um ecossistema onde esses quadrinhos possam existir de forma viável e sustentável. Acredito que o futuro nos reserva muito crescimento; basta continuarmos nos profissionalizando e cooperando de forma estratégica para crescermos juntos.”
Quer conhecer Bliss ou Aurora e descobrir essa nova história? Assine a Shonen West e acompanhe cada lançamento!