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Conversamos com Sté, responsável por The Demon’s B...

28/08/2025

A Shonen West com a Sté, a quadrinista é responsável por The Demon’s Blacksmith que contou como começou seu amor por mangás:  “Acredito que vem desde criança. Minha mãe comentava que eu criava histórias ilustradas, e, conforme olho para trás, percebo que isso foi me acompanhando à medida que fui crescendo. Quando surgiam as oportunidades, eu tentava estudar por conta própria sobre desenho e roteiro, até conseguir pagar por cursos. Eu era muito apaixonada por games e animes, principalmente pelas histórias que eles contavam, e queria poder fazer algo parecido. Ser mangaká freelancer era algo que nunca esteve nos meus planos, simplesmente aconteceu. Porém, sou grata por isso, porque, além de ser algo que gosto, me permite manter minha casa, minha vida e meus dogos, como qualquer outro trabalho!”

Seu começo no universo dos mangás aconteceu de uma forma inesperada:  “Bom, ser mangaká foi meio ‘do nada’, então transitei por alguns caminhos: tatuagem, concept art para games, animação 2D, design gráfico, publicidade, ilustração científica para apostilas de medicina e também animações didáticas na Fiocruz, até cair de paraquedas no mangá.”

Ela conta que, durante esse processo, começou a criar materiais autorais: “Durante esse período, eu produzi alguns projetos autorais por hobby, já que viver de desenho sempre foi um ‘tabu’, e havia poucas informações em português a respeito disso. Como gostava muito de contar histórias, fiz alguns cursos sobre HQ americana e européia. Até que, anos depois, pude conhecer a Me2Art e aprender mais sobre o processo japonês, em 2023. Nessa época, eu já trabalhava em tempo integral como artista de quadrinhos e mangás desde 2022. Aprendi muitas coisas com a Eruru e com o Maurício-sensei, que me possibilitaram melhorar meu trabalho, além de muitas dicas que recebi e que só passaram a fazer sentido para mim este ano (coisa doida, né?).”

Por um tempo, a mangaká focava apenas em trabalhar para artistas estrangeiros, mas com o apoio do Maurício-sensei, ela enviou duas propostas para a Shonen West:  “Como passei por alguns projetos pessoais que não avançaram e por questões de segurança do meu trabalho, acabei focando em trabalhar para outros autores gringos. Isso me deu espaço para aprender bastante coisa e ganhar experiência de produção. Durante as mentorias da Me2Art, o Maurício-sensei sempre incentivava minha produção autoral, que ajudaria ainda mais no meu crescimento profissional. Até que, após alguns meses trabalhando apenas em obras de outros autores, entrei na SW, apresentei duas propostas e uma delas era The Demon’s Blacksmith. E cá estou hoje, produzindo TDB de forma ‘autoral’ na SW e vivendo do meu trabalho com outros autores de projetos distintos.”

Como The Demon’s Blacksmith foi a obra escolhida para publicação na Shonen West, a mangaká contou também como surgiu a história:  “A ideia de TDB surgiu em 2019, após assistir a um episódio de Hora de Aventura (A espada de grama). Naquele dia, fiquei ponderando ideias e, como eu estava participando de um desafio de desenho naquela semana, acabei criando o personagem e sua lore! Mas, como podem imaginar, era bem diferente do que conhecemos hoje. Depois de alguns anos, considerei publicar a história, mas decidi testá-la em uma mesa de RPG, o que me animou mais — porém, o personagem morreu na segunda sessão...”

A quadrinista também falou sobre seus primeiros projetos, antes de se dedicar a The Demon’s Blacksmith:  “Antes de TDB, tentei trabalhar em alguns projetos: GTK (Guns to Kill) e Paper Chains, mas acabei abandonando por questões pessoais e inseguranças (tenho muita vontade de voltar a produzir, quem sabe um dia). Porém, consegui lançar Maldita Sorte e Tudo ou Nada. Maldita Sorte foi meu trabalho de conclusão de curso de quadrinhos, e Tudo ou Nada foi produzido em conjunto com um roteirista e uma colorista. Fomos finalistas do concurso da editora Guará no mesmo ano de publicação. Também participei do SMA em parceria com o autor de The Astral Age, um dos mangás no qual sou contratada como artista.”

Diversas obras influenciam o trabalho de Sté:  “Minhas obras favoritas atualmente são: D.Gray-man, Fullmetal Alchemist e Black Lagoon. As que mais me inspiram no meu trabalho, com certeza, são Black Clover e Fullmetal. Mas eu sempre busco ler mangás diversos para absorver o jeito único que cada mangaká tem de contar histórias. Além disso, gosto de criar um ‘Frankenstein’ de referências para elementos distintos, assim consigo absorver mais facilmente e adaptar/desenvolver algo mais do meu estilo. Tento ter experiências com outras mídias, como filmes e séries, para poder estudar ideias. Gosto muito de filmes de terror, pois sempre me dão ideias legais.”

A mangaká encerrou a entrevista falando sobre o mercado brasileiro e sobre seus trabalhos futuros: “Publicar TDB me deixou mais animada para novos projetos. Já discuti alguns deles com a minha editora, e outro, em específico, irei retomar por também ser um projeto de conclusão — mas da Me2Art Studio. Torçam por mim! Pretendo lançar novos projetos fora da SW também, futuramente. Estou estudando coisas novas e gostaria de testar outros tipos de histórias e formatos. Eu vejo que existe uma cena que está se movimentando para tentar trazer um ‘mercado’, de fato. Tenho expectativas positivas, mas o processo é a longo prazo. Talvez as gerações mais novas possam desfrutar melhor dos frutos. Mas, independente de qualquer coisa, sei que vamos continuar produzindo e tentando chegar aos leitores.”

Quer conhecer The Demon’s Blacksmith e descobrir essa nova história? Assine a Shonen West e acompanhe cada lançamento!

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