A Shonen West marcou presença na primeira edição do Comic Market Brasil, um evento que reuniu artistas e empreendedores em um grande encontro dedicado aos quadrinhos. Conversamos com os editores da SW, Eruru e Mac, que contaram um pouco de como foi o evento: “O Comic Market, de início, parecia algo promissor, mas habitava a zona do desconhecido. A dúvida não era se seria bom, mas sim como tudo iria acontecer, como as coisas se desenrolariam e como o público aceitaria aquilo… Porém, após estar presente no evento, tanto como expositor quanto como visitante, minha impressão saiu de “promissor” para “muito mais do que promissor”. O evento se mostrou um marco neste ramo, e eu não estou sendo poético. Ver a quantidade de pessoas interessadas pelo lado mais profissional da arte, do quadrinho, do mangá, me fez perceber que agora há um norte no caminho a ser trilhado”, diz Mac.
Eruru afirma que a qualidade das obras que estavam em qualidade internacional: “Eu vou ser sincera, e dizer que fiquei extremamente triste de não poder andar nas mesas e sair comprando as zines e os quadrinhos nacionais. Tinhas muita coisa com qualidade! Qualidade de você olhar para a obra, e falar “Bixo, isso aqui tem qualidade internacional!”. O CMB conseguiu mostrar que temos demanda para o mercado, e que tem muita gente com técnica, talento e portfólio nesse mercado. Muito artista nacional que não costuma ficar no foco, e que ninguém conhece, mas que está ativo no mercado americano e europeu, deu as caras no evento. Tinha muita coisa de babar em cima que mostrou o real nível brasileiro de mangas e quadrinhos nacionais.”, afirma Eruru.





























O evento foi tão movimentado que Eruru praticamente não conseguiu circular pois o estande da Shonen West estava sempre lotado, principalmente por causa do Mochikomi (experiência de um mangaká apresentar sua obra pessoalmente a um editor para avaliação): “Em outros eventos menores, que a SW esteve presente. Também tivemos Mochikomi. Como não era um evento focado para o quadrinho/manga nacional, nunca tivemos muito movimento no nosso Mochikomi. Porém, esse evento foi a nossa estreia! Nenhum editor nosso ficou livre! Tivemos fila com mais de 30 nomes em espera para fazer Mochikomi com o nosso Editor-Chefe. Todo editor estava sempre sentado, dando feedback para os artistas. E tinha artista que votou para falar com todos os nossos editores! Foi maravilhoso!”
Para Mac, um dos pontos altos do evento foi seu público: ‘Tínhamos um público altamente engajado, um público com “brilho nos olhos”. Na minha visão inicial, teríamos muitos curiosos, muitos interessados, mas eu nunca imaginei que veria uma multidão em busca de informação para concretizar o próprio futuro. Fiquei me perguntando: quantos imaginavam que essa realidade seria possível tão cedo? Quantos imaginavam que isso estaria disponível no Brasil? Algo que é tipicamente feito no Japão e que nunca esteve presente em nosso território.”
O eventou contou com Masterclass, o Mochikomi e diversas outras atividades voltadas para o universo dos quadrinhos e mangás, mas o maior destaque foi a presença por vídeo chamada de Boichi (autor de Dr.Stone): “Ao colocarmos o Boichi na Tela, o pessoal foi a loucura. Estava lotado. Até fecharam as portas pq não podia entrar mais ninguém. A primeira parte da palestra, foram sábias palavras da vida do Boichi e como ele chegou aonde ele chegou. Ele deixou claro que ele era pobre, como muitos brasileiros, e desenhava em folhas de jornal usados pq não tinha aonde desenhar. Ele se via em muitos brasileiros, que estão em situações parecidas, aonde é um privilégio conseguir ter tempo e material para estudar desenho e desenhar. Mas ele deixou claro, que dá para chegar lá! E ele vê sim, que o Brasil tem muito potencial para desenvolver o ecossistema e que nós podemos chegar lá com suporte do governo, empresas e oportunidades para brilhar!
A palestra encerrou com a confirmação da segunda edição do Comic Market sendo confirmado para 2026 e Boichi querendo ser convidado para participar.